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Aos 46 anos, Dona Aurilene se arrasta na lama pra sair de casa: paralisia infantil, mae enterrada ha pouco, e um barraco que esta caindo em cima dela

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Dona Aurilene tem 46 anos. Quarenta e seis anos de luta. Desde que era crianca, antes mesmo de entender o que estava acontecendo com o proprio corpo, ela ja sabia o que era ficar pra tras. A paralisia infantil chegou cedo, calou as pernas dela pra sempre, e desde aquele dia a vid...
Vaquinha criada em: 19/04/2026
Dona Aurilene tem 46 anos. Quarenta e seis anos de luta. Desde que era crianca, antes mesmo de entender o que estava acontecendo com o proprio corpo, ela ja sabia o que era ficar pra tras. A paralisia infantil chegou cedo, calou as pernas dela pra sempre, e desde aquele dia a vida da Aurilene virou uma sucessao de batalhas que a maioria de nos nunca precisou enfrentar. E nao tem cadeira de rodas que funcione, porque do lado de fora da casa dela nao tem chao. Quando a Aurilene precisa sair pra ir no posto de saude, pra buscar um remedio, pra comprar o pao do cafe, ela faz a unica coisa que sobra: se arrasta. Se arrasta pelo chao de barro, com os bracos, pela mesma lama onde a chuva acabou de cair, ate alcancar o ponto onde alguem possa busca-la. E quando volta pra casa, ela esta encharcada, machucada e exausta — mas chegou. Esse e o cotidiano dela. A casa onde a Aurilene mora nao e casa, e um barraco. Um amontoado de madeira e telha cansada que ja perdeu a capacidade de manter a chuva do lado de fora. Quando cai um temporal, ela acorda no meio da noite porque o pingo bate na cama. Levanta como pode, arrasta o colchao pro canto mais seco, e espera amanhecer ali, encolhida. O chao e a terra batida que vira lama no inverno. As paredes tem frestas por onde entra o frio, o vento, os bichos. Nao tem banheiro de verdade — tem uma improvisacao do lado de fora, no quintal, que ela so consegue alcancar se arrastando. Ja pediu pra prefeitura. Ja entrou na fila do programa Minha Casa Minha Vida. Ja foi na assistencia social. Ja recebeu promessa que nunca veio. O tempo passa, o telhado afunda mais um pouco a cada chuva, as pernas paradas perdem mais um pouco de circulacao, e o barraco vai cedendo junto com o corpo dela. E agora, no ano passado, veio o pior golpe. A mae da Aurilene morreu.
Durante TODA a vida da Aurilene, a mae foi a pessoa que esteve do lado. Quem trocou ela quando era pequena. Quem carregou ela pro hospital quando a paralisia se instalou. Quem cozinhava, quem lavava roupa, quem fazia o que a Aurilene nao podia fazer, quem dormia no quarto ao lado pra estar perto se algo desse errado de madrugada. A mae era a casa dentro do barraco. Era a unica seguranca que a Aurilene tinha. A dor da saudade ainda esta muito viva. Aurilene chora ainda hoje quando alguem fala da mae. Chora porque perdeu a mae. Chora porque perdeu a unica pessoa que cuidava dela. E chora porque agora, sozinha no barraco encharcado, ela sabe que se algo acontecer de noite, nao tem mais ninguem pra ouvir o grito. So quer o que qualquer ser humano deveria ter sem precisar pedir: um teto que nao caia, um chao firme onde a cadeira possa rodar, um banheiro acessivel, uma porta que feche direito. E o sonho dela e simples — viver com dignidade os anos que ainda vao sobrar. Aos 46 anos, mesmo com o corpo cansado, mesmo arrastando-se pela lama, mesmo enterrando a mae sem conseguir ir ao cemiterio sozinha, a Aurilene ainda sorri quando recebe visita. Ainda agradece quando alguem traz um prato de comida. Ainda diz que tem fe. — PRA ONDE VAI A SUA DOACAO — • Construcao ou compra de uma casinha simples, com piso firme, banheiro adaptado e telhado decente • Cadeira de rodas adequada (a atual nao serve mais) • Adaptacao do imovel pra acessibilidade total: rampas, portas largas, barras de apoio • Reserva pra contas basicas dos primeiros meses (luz, agua, alimentacao) enquanto a Aurilene se reorganiza apos a perda da mae • Fundo de emergencia pra medicacao continua, fraldas e insumos que ela precisa todo mes A Aurilene ja perdeu muito. Perdeu as pernas pra paralisia. Perdeu anos esperando uma casa que nunca veio. Mas ela ainda nao perdeu a esperanca. Sua doacao, por menor que seja, e o que pode tirar essa mulher da lama e devolver a ela o direito mais basico de todos: ter um lar. Doe pra Dona Aurilene. Vamos tirar ela desse chao.
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